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Roupagem das ideias

“Roupagem” das ideias

 

Você já encontrou alguma ideia passeando por aí?

Parece algo maluco, mas jamais alguém tocou numa ideia, nem viu uma delas desfilando pelas ruas.

Vamos pensar num número, por exemplo. Um número é uma ideia, mas você nunca foi apresentado a um deles, não é mesmo? Já havia pensado nisso?

Pois é verdade. As ideias não se mostram a ninguém. São entidades invisíveis, abstratas.

No entanto, ninguém duvida da importância delas, pois o mundo gira em função das ideias.

Se é assim, então como é que conseguimos trabalhar com esses seres abstratos?

Voltemos ao nosso exemplo dos números, e tomemos o número 2.

Talvez você tenha pensado que esse número é visível e palpável, pois o escreve e até o vê representado de vários tamanhos e formas. Na verdade o que você percebe é a figura que representa a ideia do número.

Essa figura, sim, pode surgir de várias formas, cores e tamanhos. É o que chamamos algarismo.

Nós podemos representar a ideia de um número usando algarismos arábicos, romanos, escrevendo por extenso, ou juntando objetos que representem a quantia que desejamos designar.

Como as ideias são seres abstratos precisamos revesti-las de alguma forma. E é por isso que usamos uma sequência de letras, sinais, símbolos, que formam palavras, ou conjuntos de sinais, com os quais revestimos as ideias que queremos comunicar aos outros.

Mas todas essas formas apenas representam a ideia, não são a própria ideia.

Essa roupagem ainda varia de língua para língua...

Em português se escreve dois, em inglês two, em espanhol dos, em francês  deux, e assim por diante...

O mesmo ocorre com a ideia que os povos fazem de um Ser supremo.

Uns o denominam Deus, outros, Gog, Dios, Alá, Dieu, etc. São inúmeras as formas de representar uma única ideia...

Mas existem outras maneiras de comunicar ideias. Quer um exemplo?

Quando você está numa lanchonete ou restaurante e quer pedir a conta, o que você faz? Geralmente faz um gesto com a mão, e logo chega a conta. Isso funciona, mas as palavras ainda são o meio mais usado para comunicar uma ideia, e também o mais prático e eficaz.

Mas, afinal, em que essas reflexões podem ser úteis no dia-a-dia? Talvez mais do que imaginamos.

Ideias todos nós temos, isso ninguém contesta. O problema está na comunicação dessas ideias.

Isso geralmente ocorre porque as ideias são muitas e as palavras são limitadas... ou seja, existem mais ideias que palavras, e isso faz com que uma única palavra seja usada para expressar várias ideias. Isso pode gerar muitas discussões e mal-entendidos.

Basta verificar nos dicionários para constatar essa realidade. Amor, por exemplo. É uma sequência de quatro letras. Apenas quatro letras: a-m-o-r. E haja palavras para tentar definir essa ideia que denominamos amor!

Aliás, a ideia de amor é tão grandiosa que não se pode definir com palavras, por mais que se tente.

Se você acha que é fácil, experimente.

Experimente expressar com palavras esse sentimento chamado amor.

Talvez seja por isso que muitos prefiram demonstrar seu amor com gestos, atitudes, poemas, canções...

Se você ainda não se convenceu de que ideias são abstratas, que precisam ser revestidas para que sejam comunicadas e entendidas, tente explicar a uma pessoa privada da visão desde o nascimento, a cor azul, por exemplo. A ideia está na sua mente, na sua memória, mas você não conseguirá passá-la adiante, nesse caso.

O mesmo vale para explicar uma ideia a uma pessoa que não fala a sua língua e vice-versa. Podemos apelar para os desenhos, os gestos, mas certamente teremos muita dificuldade, e um bocado de mal-entendidos...

 

Eis uma ideia, expressa pelo filósofo Descartes ao seu amigo Mersenne, em novembro de 1629:

“As palavras que possuímos não têm senão significados confusos, aos quais os homens se acostumaram, e essa é a causa de não entenderem quase nada perfeitamente.”

 

 

Equipe Filosofia no ar / TC 05/08/2007

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