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É importante checar nossas "verdades"

É IMPORTANTE CHECAR NOSSAS “VERDADES”

 

O que quer dizer “bom”, para você?

Será que todas as pessoas entendem o conceito de “bom” da mesma maneira?

Bem, vamos imaginar uma criança de 8 anos entrando numa confeitaria, com dinheiro suficiente para comprar tudo o que julga ser “bom”.

Hum! Diante dos seus olhos surgem tantas coisas “boas”, que fica difícil escolher! O mais provável é que a criança escolha bolos, bombons, refrigerantes...

Agora imagine essa mesma criança diante de um nutricionista, ouvindo sua opinião sobre que é bom para a sua saúde.

Certamente o médico dirá que se ela continuar comendo doces em vez de uma refeição mais saudável, terá problemas de saúde mais tarde, além da obesidade que poderá surgir.

Parece que temos aí duas ideias diferentes sobre o significado de bom.

O médico vai dizer a verdade, do seu ponto de vista, mesmo que essa verdade desagrade a criança.

Se perguntarmos a um filósofo o que é “bom”, sua resposta será completamente diferente. Ele buscará explicar o conceito de bom, e não dar exemplos de coisas que considera boas, e que muitas vezes nada têm em comum.

Nosso objetivo aqui não é aprofundar a questão, mas simplesmente perceber como uma palavrinha de apenas três letras pode expressar ideias diferentes, e que as ideias podem nos fazer ficar doentes ou saudáveis. Se assim é, concordamos que ideias são importantes para a vida.

O que nos coloca diante de um impasse como esse é que algumas de nossas ideias podem ser falsas.

Quem sabe um exemplo torne as coisas mais claras.

Se você deseja ser feliz e tem uma ideia falsa da felicidade, vai se perder na busca, fazer muito esforço... para nada. Ou, o que é pior, para ser mais infeliz.

O que saiu errado, afinal? Por que vou em busca da felicidade e não a encontro? Você perguntará.

O mapa, com certeza!

Que mapa?!

Se você deseja chegar a algum lugar guiando-se por um mapa e este estiver errado, você caminhará muito, fará bastante esforço, gastará tempo para chegar, afinal, ao lugar errado!...

Existem pessoas que tem uma ideia falsa de justiça, por exemplo.

Elas confundem justiça com vingança, e podem cometer crimes com base nessa ideia. Não é outra a razão dos linchamentos que às vezes ocorrem, concorda?

Mas se uma ideia é falsa, porque achamos que é verdadeira?

Muito simples: o que nos faz tomar uma ideia falsa por verdadeira é a falta de exame. Sim, a falta de um exame profundo, bem de perto. É como se colocássemos uma lente de microscópio filosófico sobre as nossas ideias, para vê-las melhor.

Acontece, também, de acharmos que uma coisa é verdadeira porque desde pequenos ouvimos todos repetirem a mesma coisa. Então é por ouvirmos dizer...

Você já percebeu que quase todas as ideias que tem vieram de fora? Gravaram-se em sua memória e você não sabe quando, nem como.

Muitas vêm da nossa família, de professores, de amigos. É comum não fabricarmos nossas ideias, mas “comprá-las” prontas.

É assim que muitas ideias se tornaram “nossas”, sem que as tenhamos escolhido lucidamente depois de um bom exame. Até aí nenhum problema, desde que essas ideias sejam verdadeiras.

Mas, e se forem falsas, qual a solução? Bem, a solução é fazer filosofia...

Sim, o jeito é testar nossas ideias, colocá-las à prova para depois selecioná-las tendo por instrumento a razão. A razão, segundo Santo Agostinho, é a visão da alma, e é com ela que analisamos, comparamos, conservamos o que é bom e verdadeiro, e jogamos fora o que é falso.

As verdades alimentam a nossa alma e nos dão segurança intelectual.

Filosofia, como já foi dito, quer dizer amar a sabedoria, e não pode haver verdadeira sabedoria apoiada em bases falsas.

Sendo assim, o verdadeiro filósofo se dedica também a descobrir as ideias falsas que até então alimentou, para eliminá-las e impedir que outras venham a se apoiar nelas. Afinal, ele sabe que as ideias falsas nos atrapalham na busca da verdade e nos causam prejuízos.

É como uma placa de sinalização, numa encruzilhada que devia indicar para o sul e que, movida pelo vento, passa a indicar o norte. Certamente o viajante que se guiar por ela terá problemas para chegar ao sul...

E o que a filosofia nos recomenda, para evitar esses tropeços no campo das ideias?

A filosofia diz: questione suas “verdades”, coloque-as à prova, tendo como controle as verdades já constatadas pelas ciências, pelas filosofias. E não titubeie em pensar sempre com humildade, e admita para si mesmo: “posso estar enganado”.

Em matéria de conhecimento, o apego às ideias é a pior das escolhas, pois se estivermos enganados podemos perder muito tempo nessa teimosia.

Quando examinamos, questionamos, comparamos o que já foi escrito sobre determinado tema, podemos não chegar a nenhuma conclusão satisfatória, mas é possível que estejamos mais próximos da verdade.

Desfazer-se de ideias que não resistem a um exame mais criterioso, em prol de ideias mais justas não é fraqueza, é sabedoria.

E se fizermos tudo isso e ainda restar a dúvida sobre se uma ideia é falsa ou verdadeira, o que fazer?

Nesse caso é só suspender o juízo. Deixar a ideia de quarentena e ir analisando-a até que se tenha uma certeza.

  Encerramos com uma frase do Barão de Itararé:

“Não é triste mudar de ideias; triste é não ter ideias para mudar.


 

Equipe Filosofia no ar / TC 13/02/2008

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