BUSCA POR PALAVRA CHAVE    
BUSCA POR TEMA    
NOSSO OBJETIVO
O QUE É FILOSOFIA?
VIRTUDES
VÍCIOS
TEXTOS DE FILÓSOFOS
EDUCAÇÃO
PEQUENOS TEXTOS
REFLEXÕES SOBRE
GRANDES PENSADORES

CONFIRA OS TEXTOS:
MAIS LIDOS
DESTAQUES
O que é ser livre - J. C. Ismael

O QUE É SER LIVRE

 

Um exame apressado do significado da liberdade pode concluir que é livre quem se declara liberto de regras, obrigações, convenções, só fazendo o que deseja e lhe dá prazer. Mas essa definição de liberdade é superficial, não passando de um artifício usado pelas pessoas que jamais se debruçaram sobre si mesmas e se perguntaram até que ponto eleger fatores externos para afirmarem-se como seres livres as aprisiona nessa dependência, em vez de libertá-las de tudo que afirmam desobedecer. Manifestações de rebeldia podem exteriorizar a luta pela liberdade, mas são um fim em si mesmas porque possuem um objetivo transitório, que uma vez alcançado perde o sentido. Na busca da liberdade, o homem só abandona a ilusão de tê-Ia encontrado quando se convence de que sem conquistar a si mesmo não a alcançará; e, quando exercer o autodomínio com a mesma naturalidade com que respira, poderá dizer que é verdadeiramente livre e sábio, e não lhe ocorrerá ensinar a liberdade a quem nunca a possuiu, ou conformou-se em tê-Ia perdido.

As pessoas que imaginam ser livres por não serem escravas de nada e de ninguém devem examinar essa convicção com muito cuidado, pois ela as impede de se deterem sobre o verdadeiro exame da liberdade. A liberdade só é autêntica quando não depende de nada exterior, mas do conhecimento que precisa existir das suas limitações e da sua autonomia em relação a qualquer influência que possa desviá-Ias do aperfeiçoamento interior. A liberdade implica, fundamentalmente, o domínio das paixões, sempre à espreita para desvirtuar a conduta moral que brota do interior do indivíduo, levando-o a abandonar a si próprio em troca de ideais passageiros que significam mais fuga ou adiamento de um auto-exame do que a crença profunda nesses ideais. O prazer sensual e a intemperança são outros poderosos inimigos da liberdade.

Quem é por eles escravizado abandona a sabedoria que consiste justamente em dominar os próprios apetites, transformando-os, eles sim, em escravos da sua vontade.

Só pode proclamar-se livre quem é autárquico, isto é, quem possui a autonomia moral que o torna independente de opiniões alheias e das convenções que se obriga a assumir, apesar de serem uma fonte inesgotável de sofrimento.

Liberdade implica também estabelecer limites a aspirações para o que racionalmente não pode ser alcançável. Ao traçar os objetivos da sua vida, o homem deve ter em mente as limitações de que a natureza o dotou, sejam as do corpo, sejam as do espírito. Como ele não pode voar, igualmente não pode transpor o que a alma tem de incognoscível por causa da sua natureza divina. E se ele pauta a sua vida material à espera de uma riqueza súbita, ou se sonha em ser rei de um glorioso império, nada mais está fazendo do que fugir de um confronto com a realidade, uma doença tão grave como a que pode abatê-lo fisicamente.


Texto extraído do livro: Sócrates e a arte de viver, de J. C. Ismael, Ed. Ágora.



A liberdade implica, fundamentalmente, o domínio das paixões...
ITENS RELACIONADOS:
LIVROS
Sócrates e a arte de viver

topo da página imprimir indicar
O conteúdo deste site é livre de direitos para divulgação, desde que gratuita. Pede-se que sejam mantidos os devidos créditos.