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O tempo

O TEMPO

 

Imagine algo que jamais lhe faltou e que jamais lhe faltará, nem faltará a quem quer que seja, embora muitos digam que é o que mais falta.

Pode nos faltar dinheiro, amor, iniciativa, vontade... mas o tempo é um presente constante, que nunca se extingue.

Embora a sucessão de ocorrências por vezes nos faça pensar que o tempo se escoa e foge ao nosso controle, trata-se de uma ilusão da nossa forma de perceber as coisas, pois o tempo jamais se escoa, e não deixa de ser constante.

 

            Um filósofo da Antiguidade assim se referia ao tempo:

            Disse que medimos o tempo que passa, de modo que podemos afirmar que um lapso de tempo é o dobro de outro, ou igual, e apontar entre os intervalos de tempo outras relações, mediante esse processo comparativo. Portanto, medimos o tempo no momento em que passa. E se me perguntarem: Como o sabes? – eu responderia: Sei porque o medimos, e porque é impossível medir o que não existe; ora, o passado e o futuro não existem.

Quanto ao presente, como podemos medi-lo, se não tem duração? Portanto, só podemos medi-lo enquanto passa; e quando passou, não o medimos mais, porque não há mais nada a medir.

Mas de onde se origina, por onde passa, para onde vai o tempo quando o medimos? De onde vem senão do futuro? Por onde passa, senão pelo presente? Para onde vai senão para o passado?

Nasce, pois, do que ainda não existe, atravessa o que não tem duração, e corre para o que não existe mais. No entanto, o que é que medimos, senão o tempo relacionado ao espaço?

Quando dizemos de um tempo que é simples, duplo, ou triplo, ou igual, ou quando formulamos qualquer outra relação dessa espécie, nada mais fazemos do que medir espaços de tempo.

Em que espaço medimos então o tempo no momento em que passa? No futuro, talvez, donde procede? Mas o que ainda não existe não pode ser medido. Será no presente, por onde ele passa? Mas, como medir o que não tem extensão? Será no passado, para onde caminha? Mas o que não mais existe escapa à qualquer medida.[1]

            Interessantes essas reflexões de Agostinho sobre o tempo.

           

Muitos dos de nós vivemos numa correria como se o tempo escorresse pelos vãos dos dedos, e tivéssemos que nos debater muito na tentativa de retê-lo. Então, quando alguém nos convida a fazer algo que não está dentro da nossa agenda, damos a mesma desculpa: “Não tenho tempo.”

Melhor seria admitir: “não tenho interesse nisso, e a isso não dedicarei minhas forças.”

Outro fato, não menos comum, é esperarmos que chegue o futuro para a realização de algo que dizemos desejar. É a esperança do amanhã... que nunca chega. E sabe por que não chega? Porque o amanhã não existe, ele é o resultado do que fizermos hoje. E se não fizermos no presente, não será realidade no futuro.

E assim vamos passando pelo tempo, que não se esgota. Mas as oportunidades passam.

Períodos a que chamamos horas, dias, meses, anos, se escoam, e projetos ficam à espera de um: “amanhã, talvez...”, como se o amanhã fosse um tempo diferente que arrastasse com ele as realizações por nós apenas sonhadas.

É assim que deixamos de adquirir novos conhecimentos, fazer novas amizades, ler novos livros, ou reler os que vale a pena serem relidos...

Desejamos conquistar virtudes, ser sábios... “amanhã, quem sabe?!”

Um filósofo Antigo chamado Horácio, disse: “Ousa ser sábio, começa; adiar a hora de bem viver é assemelhar-se àquele camponês que para atravessar o rio espera que a água termine de passar; entretanto o rio corre e, rolando sempre, correrá eternamente.”[2]

O mesmo podemos pensar e dizer sobre o tempo...

Esperar pelo amanhã é deixar que a preguiça ocupe o tempo, que é eterno, enquanto passamos pela vida sem realizar o que poderíamos realizar.

 

Se ainda houver tempo, leia estas singelas rimas:

 

A flor que nunca se abriu

O fruto que não nasceu

esperavam pelas mãos

que a preguiça venceu.

 

O poema não escrito

A música não cantada

Esperavam pela alma

Que a preguiça embalava.

 

O texto que não é lido

Pode conter a verdade

Mas espera que a preguiça

Dê uma chance à vontade

 

O bem que jamais foi feito

A esperança matou

Deixou somente o vazio

Que a preguiça causou

 

Vamos lá, pessoa séria

Mande esse mal embora

Não deixe que roube o fruto

Que espera por ti agora.

 

 

 

 

 

 

 

Filosofia no ar / TC 23/12/2010



[1] Santo Agostinho, Confissões, Livro décimo primeiro, cap. XXI - A medida do tempo

[2] Horácio, Ep. I, II, 40.

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