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Inveja

INVEJA

 

A inveja é uma das mais feias e tristes misérias do vosso globo. A caridade e a constante emissão da fé extirparão todos esses males, que desaparecerão, um a um, à medida que se multiplicarem os homens de boa vontade que virão depois de vós.[1]

 

Inveja e ciúme muitas vezes são confundidos, e talvez seja porque esses dois vícios têm algo em comum: são tristeza e causa de tristeza. Em outra oportunidade refletiremos sobre o ciúme, mas agora vamos nos ocupar um pouco sobre a inveja.

A palavra inveja vem do termo latino invidia. Em muitas línguas essa palavra está relacionada com o que se tem em vista.

Na linguagem popular também encontramos as expressões: olho mau, olho gordo, mau olhado, etc. O vocabulário francês possui a palavra envie, da família etimológica do verbo voir (ver), cuja origem é latina, do verbo videre. O termo francês envie significa inveja, desejo intenso, cobiça. Em português, segundo o Dicionário Houaiss (2001), inveja é o “sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade ou a prosperidade de outrem.

Jesus, em suas parábolas, nos deixou valiosos ensinamentos, sempre muito atuais. A parábola sobre Os trabalhadores da última hora, por exemplo, contém vários preceitos dos quais podemos extrair grandes lições de vida. Neste artigo vamos nos deter somente no que diz respeito ao vício da inveja. [2]

A parábola fala sobre um pai de família que saiu de madrugada a contratar homens para trabalhar na sua vinha. Tratou com eles que pagaria um denário por dia, a cada um. Uns começam a trabalhar de madrugada, outros à hora sexta, alguns à hora nona, e também teve os que chegaram à hora undécima.

Vejamos esta parte da parábola:

Ao cair da tarde disse o dono da vinha àquele que cuidava dos seus negócios: Chama os trabalhadores e paga-lhes, começando pelos últimos e indo até aos primeiros. Aproximando-se então os que só à undécima hora haviam chegado, receberam um denário cada um. Vindo a seu turno os que tinham sido encontrados em primeiro lugar, julgaram que iam receber mais; porém, receberam apenas um denário cada um. Recebendo-o, queixaram-se ao pai de família dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora e lhes dás tanto quanto a nós que suportamos o peso do dia e do calor.

Mas, respondendo, disse o dono da vinha a um deles: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia? Toma o que te pertence e vai-te; apraz-me a mim dar a este último tanto quanto a ti. Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom?

Notemos quão evidente é o ensinamento sobre a inveja contido nessa parábola. Quando o dono da vinha pergunta: Não me é então lícito fazer o que quero? Tens mau olho, porque sou bom? O mau olho, nesse caso, é o que Descartes define como inveja: uma perversidade de natureza, que faz certas pessoas ficarem contrariadas com o bem que veem acontecer aos outros homens. [3]

Observemos que o senhor da vinha diz a um dos reclamantes: Meu amigo, não te causo dano algum; não convencionaste comigo receber um denário pelo teu dia?

É provável que se o patrão tivesse pago um valor menor aos trabalhadores da última hora, os da primeira não tivessem reclamado, o que indica claramente um sentimento de inveja, ou seja, achar injusto que o outro receba. O filósofo romano Cícero, considerou que a inveja é a amargura que se sofre ao ver a felicidade alheia.”

Aqui vale uma reflexão aos pais que desejam educar seus filhos para que sejam virtuosos e evitem o sofrimento que as más paixões causam. De muito boa vontade, muitas vezes desejam corrigir o filho lançando mão de argumentos que despertam na alma infantil o vício da inveja, e outros mais.

Eis um exemplo: o filho não quer comer ou tomar algo. Os pais, querendo que ele se alimente, dizem: se você não comer, daremos a porção ao seu irmão, ou a outra criança. Diante dessa ameaça, é muito comum ver a criança abocanhar o alimento rapidamente...

Ela aprendeu duas lições: de gulodice e inveja. De gulodice, porque come sem ter fome; de inveja, para que o outro não tenha o alimento.

É interessante notar que há na inveja uma peculiaridade: geralmente ela tem por alvo os irmãos, parentes, vizinhos e amigos que estão numa mesma posição.

É o que expressa sabiamente o provérbio: Ninguém é profeta em sua terra.

Tanto isso é verdade, que nem mesmo Jesus foi acreditado em Nazaré, sua terra natal. E por que?

O princípio de tal verdade reside numa consequência natural da fraqueza humana e pode explicar-se deste modo:

O hábito de se verem desde a infância, em todas as circunstâncias ordinárias da vida, estabelece entre os homens uma espécie de igualdade material que, muitas vezes, faz que a maioria deles se negue a reconhecer superioridade moral num de quem foram companheiros ou comensais, que saiu do mesmo meio que eles e cujas primeiras fraquezas todos testemunharam.

O orgulho os faz sofrer ao terem de reconhecer o ascendente do outro. Quem quer que se eleve acima do nível comum está sempre em luta com o ciúme e a inveja. Os que se sentem incapazes de chegar à sua altura esforçam-se para rebaixá-lo por meio da difamação, da maledicência e da calúnia; tanto mais forte gritam, quanto menores se acham, crendo que se engrandecem e o eclipsam pelo ruído que fazem.

Tal foi e será a História da Humanidade, enquanto os homens não houverem compreendido a sua natureza espiritual e alargado seu horizonte moral. Por aí se vê que semelhante preconceito é próprio dos espíritos acanhados e vulgares, que reportam tudo a  sua personalidade.[4]

Se assim é, se a inveja e tantos outros vícios são causadores de infelicidade e sofrimento, de que antídoto podemos lançar mão para neutralizar a causa e o feito desses males em nós?

Eis um sábio conselho: “O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme, a maledicência são para a alma ervas venenosas das quais é preciso a cada dia arrancar algumas hastes, e que têm como antídoto: a caridade e a humildade.” [5]

           

 

 

 

 

 

 

 

Equipe Filosofia no ar / TC, 16/09/2011



[1] São Luís, Revista Espírita, julho de 1858 - A inveja.

[2] Essa parábola está desenvolvida no capítulo XX, de O Evangelho segundo o Espiritismo, acrescida de Instruções dos Espíritos.

[3] René Descartes, Paixões da alma, art. 182.

[4] Allan Kardec, A Gênese, cap. XVII - Predições do Evangelho - Ninguém é profeta em sua terra, item 2.

[5] O Espiritismo em sua mais simples expressão - Máximas extraídas do ensinamento dos Espíritos, 37.

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