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A paciência

A paciência

 

A paciência tem muito mais poder que a força. Plutarco[1]

 

A paciência é uma virtude das mais importantes e necessárias, e é possível que seja também uma das que mais fazem falta hoje em dia. Isso pode dar-se talvez porque não compreendemos bem o que significa essa virtude.

Muita gente pensa que a paciência é a ausência da pressa. Se não temos pressa, logo somos pacientes.

No entanto, a virtude chamada paciência tem um significado bem mais profundo e amplo do que o que geralmente lhe é atribuído.

A palavra paciência vem do latim patientia, derivada do verbo patior, que quer dizer sofrer.[2] O contrário de paciência, então, não é a pressa, mas a rudeza, o desespero, a irritação, a impaciência.

A paciência é a mais heroica das virtudes, mas não tem aparência heroica. A impaciência, ao contrário, tem aparência heroica, mas denota grande fragilidade.

Paciência é uma espécie de coragem que nos faz suportar os reveses da vida, sem testemunhas e sem elogios; mas é preciso ter cuidado para não tomar por paciência o que não passa de indolência, e confundir com uma virtude das mais meritórias o que às vezes tem dela apenas a aparência exterior, mas que no fundo é falta de energia moral.

Para ser paciente é preciso ser forte, senhor de si, exercer muito ativamente e sem trégua esse império moral sobre si mesmo. No entanto, não se pode chamar paciência a insensibilidade, a falta de dinamismo que caracterizam a preguiça, a inação.

Zenão de Cítio, filósofo grego que fundou o estoicismo no início do século III a.C., dava a seus discípulos, como regra, a paciência. Essa palavra resume todo o estoicismo. Segundo essa doutrina a paciência é a suprema sabedoria.

Por mais que se faça é impossível subtrair-se totalmente à dor; ela nos recebe no berço e nos persegue, de mil maneiras, até o leito de morte: doenças, necessidades do corpo e da alma, desejos enganosos, gozos amargos, vaidades feridas, paixões que nos dilaceram, trabalhos estéreis, tédio do mundo e da solidão, etc. O homem, incapaz de evitar uma parte desses males, pode, ao contrário, agravá-los a todos, com a impaciência.

Os estoicos ensinavam que as emoções destrutivas resultam de erros de julgamento, e que um sábio, ou seja, uma pessoa com "perfeição intelectual e moral", não sofreria com essas emoções. Assim, suportar com paciência o que não se pode evitar ou alterar, é ato de sabedoria.

A virtude da paciência está diretamente ligada à moderação, à mansuetude de alma com a qual se sofre, sem contrariedade, coisas próprias a causar irritação, desgosto, tédio.

No dia a dia, a paciência nos falta algumas vezes, quando não sabemos suportar até mesmo uma pequena contrariedade.

E o curioso é que desejamos ver a paciência nos outros, e apreciamos quem a possui.

Se, por exemplo, estamos dirigindo nosso veículo em rua movimentada queremos que o motorista que nos segue seja sempre paciente, mas não aquele que está à frente, pois se não seguir o nosso ritmo, a impaciência surge.

Quando, no consultório médico, estamos à espera da nossa vez, ficamos ansiosos para que o paciente que nos antecedeu seja breve, seja sucinto, e ficamos olhando no relógio a cada instante, por vezes demostrando nossa impaciência aos atendentes, para que fique clara a nossa desaprovação. No entanto, tudo muda quando somos nós que estamos sentados diante do médico.

O mesmo acontece quando esperamos uma mesa na fila do restaurante. Desejamos que as pessoas que estão fazendo as refeições não demorem, liberem logo a mesa. Todavia, quando chega a nossa vez, ficamos tão à vontade que esquecemos que há uma fila lá fora.

A que podemos atribuir essas incoerências em nosso proceder? À falta de entendimento de nossa parte? Certo que não, pois sabemos distinguir a diferença entre aguardar e ser aguardado.

Saber suportar um atraso, sem aborrecimento, uma dor, sem revolta, um revés qualquer, sem irritação, é ser paciente, é ter sabedoria.

A paciência é a virtude que sabe esperar, porque tem seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo. 

Somente a paciência dá a perseverança, a constância e a coragem para se exercer uma atividade de longo fôlego.

Deve ser por isso que um sábio disse que “a paciência é a coragem da virtude”.[3]

 

 

 

 

Equipe Filosofia no ar /  tc 30/07/2013



[1] Plutarco, Vie de Sertorius (Vida de Sertórius).

[2] Conforme Dictionnaire Gaffiot - Latin-français.

[3] Bernardin de Saint-Pierre, Extraído do livro Paulo e Virgínia.

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