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O peregrino e o turista

O peregrino e o turista[1]

 

O filósofo é, antes de tudo, aquele que pensa que não estamos aqui como "turistas", para nos divertir. Luc Ferry[2]

 

O Sol dardeja seus primeiros raios dourados sobre a terra, quando dois homens despertam e preparam-se para uma longa viagem.

Ambos colocam na mala a bagagem de que necessitarão nos próximos dias.

Eles têm algo em comum: a viagem.

Ambos escolheram o lugar para onde se dirigem, conforme os objetivos que desejam atingir.

O primeiro escolheu um destino que fizesse sentido para sua existência no mundo, para autoconhecer-se; ele vai em busca de algo que lhe fale à alma, que lhe dê um novo sentido à vida. O percurso é parte importante da viagem, por isso ele escolheu um meio que lhe permita desfrutá-lo.

Cada detalhe do caminho é observado, contemplado, meditado. Ele se adapta aos lugares e nada exige além do que lhe é oferecido. A simplicidade faz parte da sua busca.   Se surge uma oportunidade de servir ele está sempre pronto, pois se envolve com os lugares e as pessoas. Não ridiculariza as ações daqueles que encontra no caminho, não as detesta, nem chora sobre elas, mas tira delas um conhecimento verdadeiro.

O outro viajante elaborou seu itinerário em função da fama dos lugares. Sua viagem não tem nenhuma dimensão existencial ou espiritual, quer apenas vislumbrar os pontos turísticos mais famosos. Seu objetivo último é o divertimento.

Para ele o percurso não importa, por isso busca o meio que mais rapidamente o coloque diante do que ele quer vislumbrar.

Ele não se envolve nem com as pessoas que encontra, nem com os locais que visita. Ao contrário, locais e pessoas devem adaptar-se a ele. Seu desejo é ser servido, e o melhor possível, segundo os padrões turísticos já estabelecidos.

Mas, eis que para ambos os viajantes a viagem chega ao fim, e é preciso voltar para casa.

O que cada um trará em sua bagagem?

O primeiro, que é o peregrino, trouxe em sua mala os mesmos objetos que ali colocou ao sair; talvez falte algo que doou a um necessitado que encontrou no caminho.

Já o seu espírito voltou rico de conhecimentos, de valores importantes para enaltecer seus dias, sua existência. Ele aprendeu, deixou-se envolver por pessoas e lugares; foi útil quando solicitado. Seu semblante denota certa paz de espírito; ele está mais sereno, mais sábio.

O outro viajante, que é o turista, talvez tenha trazido o dobro das malas que levou... Trouxe certa experiência, é verdade, mas também muitos souvenirs, centenas de fotos, que ele se apressará em publicar.

Seu olhar denota um ar de euforia e ao mesmo tempo de tédio; afinal, o divertimento chegou ao fim; agora terá que enfrentar seu dia-a-dia, a rotina que ele acha enfadonha, até que se apresente outra oportunidade para divertir-se.

 

Uma metáfora sobre dois viajantes. Eles têm pontos em comum, mas muitos pontos divergentes.

E para quê serve esta singela metáfora? Para propor-nos uma reflexão sobre nossa situação no mundo. Nós nos assemelhamos mais ao turista ou ao peregrino?

Estamos em busca de divertimento, ou de sabedoria?

A frase do filósofo francês Luz Ferry, que colocamos no topo deste texto, nos faz pensar seriamente sobre a nossa curta estada neste planeta.

O que trouxemos na bagagem quando aqui chegamos? O que levaremos? O que deixaremos?

Afinal de contas, como diz Pierre Teilhard de Chardin, paleontólogo e filósofo francês: Não somos seres corporais vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência num corpo físico.

 

 

Equipe Filosofia no ar / tc 06/03/2013



[1] Texto inspirado em palestra do educador e psicólogo Yves de La Taille, intitulada: Educação moral e formação ética.

[2] Aprender a viver - Tratado de filosofia para as jovens gerações. Ed. Objetiva Ltda.

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