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Educar para a felicidade

Educar para a felicidade

 

O objetivo que mais importa aos pais, e sobre o qual devem eles fixar toda a sua atenção, é o de proporcionar a seus filhos uma educação sólida e honesta: é o único meio de os conduzir à virtude e, pela virtude, à felicidade. Plutarco.[1]

 

Talvez a maioria dos pais não saiba como seus filhos podem se tornar adultos inseguros, ansiosos e medrosos, mas na prática muitos acabam desenvolvendo esses sentimentos nos filhos desde os primeiros anos da infância.

Quando colocamos qualquer condição ao filho para que ele receba nossa atenção, nosso carinho ou nosso amor, estamos usando um meio inadequado para atingir os objetivos que almejamos. Muitas vezes nós queremos ensiná-lo a obedecer, mas acabamos desenvolvendo nele um caráter frágil e inseguro.

Alguns exemplos podem nos ajudar a refletir sobre essas questões.

Quando o adulto fala para a criança: “Se você não me obedecer, eu não gosto mais de você!” Ou: “Não faça escândalo senão vou embora e lhe deixo sozinho!”; ou, ainda: “Veja como seu irmão (ou irmã) é bem comportado!...” está utilizando meios que levarão aos resultado contrário aos que deseja.

Esses hábitos, que parecem ser tão inocentes, podem gerar consequências desastrosas, que comprometem a felicidade daqueles que justamente desejamos ver livres e felizes.

Não se questiona a boa intenção dos pais, nem o seu objetivo, que deve ser nobre: tornar o filho obediente, livre e feliz. Mas, por que meios se pretende atingir tal objetivo?

Na realidade, o que de fato está sob o domínio dos educadores são os meios, porque os fins, para serem atingidos, dependem geralmente dos meios aplicados. Se o que se quer é educar para a liberdade e para uma vida feliz, só se logrará êxito usando-se os meios que levam a isso.

Reflitamos sobre o seguinte:

Se os pais desejam que seu filho seja obediente, a melhor maneira de fazer com que adquira realmente essa virtude é ensinar o seu valor para a vida. Se os pais ameaçam abandonar o filho, ou dizem não gostar mais dele, caso não obedeça, então ele poderá ser obediente somente quando o amor daquele a quem deve obedecer lhe interesse.

Não estaria aí o grave problema da desobediência nas escolas? Afinal, se a criança aprendeu a obedecer para não perder o amor dos pais, porque obedecerá os professores, se o amor deles não lhe importa?

Há pais que, imbuídos da mais sincera boa vontade, cometem sérios problemas na educação dos filhos, e se admiram se eles se tornem o contrário do que esperavam.

Quando se faz comparações entre um filho e outro, para despertar uma melhor conduta em um deles, o que geralmente se consegue é criar num o sentimento de inveja, e de vaidade, no outro.

É assim que muitas vezes vamos gerando condutas e sentimentos infelizes naqueles que mais amamos e desejamos ver felizes.

Uma mãe nos disse, certa vez, que sempre que o filho não lhe obedecia, ela fazia uma chantagem emocional que funcionava: “Não faça isso, senão a mamãe fica triste.”

Então, num dia em que ela não estava muito bem, o filho de 5 anos que brincava alegremente, ao notar o ar de tristeza da mãe, largou os brinquedos e correu, já meio choroso, e lhe perguntou: “mamãe, o que eu fiz de errado agora?” A mãe respondeu que ele não havia feito nada de errado. Então o filho retrucou: “Então por que você tá triste, mãe”?

Imaginemos o estado emocional de uma criança que, em terna idade, já carrega nos ombros a reponsabilidade pela tristeza daqueles que mais ama...

Naturalmente essa mãe não havia pensado na gravidade do que ela considerava uma simples chantagem para educar o filho.

Se a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos, então é preciso que os educadores prestem muita atenção nos hábitos que estão desenvolvendo nas almas entregues aos seus cuidados.

Muitos vícios, inclusive o mais radical de todos, que é o egoísmo, geralmente são ensinados aos filhos pelos próprios pais.

Um dia desses observamos uma mãe que estava numa lanchonete com seu filho de cerca de 3 anos de idade. A criança não estava com fome, mas a mãe desejava que ela comece, então o seu argumento foi dois mais lamentáveis: “Coma, senão vou dar seu lanche para outra criança.” A criança acabou comendo, e certamente não foi movida pela ideia de que precisava se alimentar, mas para que a outra criança não comesse.

Que frutos poderá produzir na alma infantil uma tal lição? Gulodice e inveja são os mais prováveis. Gulodice, porque comeu sem sentir fome; inveja, porque não suportaria ver a alegria da outra criança ao comer o delicioso lanche.

Plutarco, filósofo notável que viveu no primeiro século da era cristã, disse o seguinte sobre a educação:

“O objetivo que mais importa aos pais, e sobre o qual eles devem fixar toda sua atenção, é o de proporcionar a seus filhos uma educação sólida e honesta: é o único meio de os conduzir à virtude e, pela virtude, à felicidade.”

“O espírito das crianças é uma massa flexível que recebe sem resistência todas as formas que se quer lhes dar. Uma vez fortalecidas pela idade, dificilmente as podemos dobrar. Os selos se gravam facilmente sobre uma cera mole; da mesma maneira os preceitos que se dá a esses espíritos, ainda tenros, aí se imprimem facilmente e deixam traços profundos.(...).”

 

 

 

 

 

Equipe Filosofia no ar / TC, 25/08/2011



[1] Beautés des œuvres morales de Plutarque, ch. Sur l'éducation - Berlin-le-Prieur, Libraire, Paris, 1835.(Traduzido do francês pela Equipe Filosofia no ar.

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