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Os valores na educação - confusão entre meios e fins

Os valores na educação - confusão entre meios e fins

 

O que vale mais: um vício ou um valor ético?

A questão parece ser simples e a resposta evidente, mas na prática as respostas podem variar.

Quando se trata da educação, muitos educadores optam pelo vício e jogam a ética fora ou a colocam em segundo plano.[1]

Pensemos numa situação bem corriqueira, de uma mãe que deseja educar seu filho para que ele seja um homem de bem.

Geralmente a bondade parece ser o maior valor, por isso a mãe diz ao filho: “se você for bonzinho eu o levo à sorveteria.”

O fim, ou objetivo, parece ser o de desenvolver a virtude da bondade em seu filho, mas a virtude acaba sendo apenas um meio, e o sorvete passa a ser o fim visado.

Para se entender melhor o que significam os fins e os meios, podemos dizer que o fim é o bem maior, é o objetivo último, e os meios são o que poderíamos chamar de recursos, estratégias, caminhos para se chegar a esse bem.

Quanto maior o valor do objetivo, do bem visado, mais empenho e melhores estratégias devem ser buscados.

Assim, a mãe, no caso hipotético, deveria pensar em como convencer o filho a ser bondoso; criar estratégias para levá-lo a entender, pelo raciocínio, que se ele for um homem bom será mais feliz, mais estimado.

O que ocorre então? Uma inversão de valores: o que era meio passa a ser fim, e vice-versa. A bondade, que seria o bem maior, o objetivo último a ser alcançado, para a ser apenas um recurso, um meio de saciar o desejo do filho.

“Serei bonzinho, pensa ele, pois assim terei o sorvete.”

Para que o objetivo, que é ensinar a bondade, seja alcançado, é a bondade que deve ser perseguida, enaltecida pelo seu valor.

O filho deveria entender que ser bom é a melhor opção. Que a bondade é um bem em si mesma e não precisa de nenhuma outra razão a não ser a felicidade que essa virtude proporciona a quem a possui.

Quando a mãe diz ao filho que ele ganhará um prêmio se for bondoso, sem se dar conta ela desvaloriza a bondade e a coloca abaixo de um prêmio qualquer.

Agora suponhamos que esse garoto cresça aprendendo tais lições; como agirá quando for adulto? Se a bondade é um meio, pode-se perfeitamente simulá-la, e então teremos a hipocrisia: alguém que finge ser bondoso para atingir o seu fim. Se não tiver um caráter firme no bem, fingirá ser bom para atingir os fins que almeja.

No campo da política, atitudes de hipocrisia são bastante comuns. Temos belos e emocionantes discursos para se conseguir votos, como excelente meio de se chegar ao fim almejado, que é o poder.

Outro exemplo, e não menos corriqueiro, é o de tentar despertar uma virtude usando o argumento: “se você não comer, a mamãe come”, ou, “vou dar sua comida a fulano”, que geralmente é um irmão ou irmã.”

Aí entra também, além de uma lição de gulodice, também lições de inveja e egoísmo. A criança fará o que lhe pedem, não somente para ter o alimento, mas para que a outra não o tenha.

Outra virtude que os pais desejam despertar no filho é a generosidade. Para dar-lhe, então, uma lição de generosidade, o que dizem? “Dê um de seus vários brin­quedos a uma criança que não possui nenhum”. Se o filho se recusa, não deixam de acrescentar, para nele estimular um bom sentimento: “Eu lhe darei um outro.” De modo que a criança não se decide a ser generosa senão quan­do está certa de nada perder. Lição de puro egoísmo.

Desejam, ainda, esses pais bem intencionados, não o duvidamos, ensinar seu filho a ser benevolente e dócil. E de que meios se utilizam? Salvo raras e honrosas exceções, usam de violência, gritos, chantagens, calejando-o para que se acostume a isso, em vez que dar lições dessas virtudes, pelo exemplo.

As crianças aprendem muito mais com os exemplos dos pais do que com os seus discursos. Se queremos ensinar benevolência e doçura com agressões, físicas ou morais, a criança aprenderá a lição, mas certamente não será de benevolência e doçura.

Não se aprende a amar as virtudes senão conhecendo-as na prática. E como isso seria possível a um educando, senão observando seus educadores?

Há um pensamento de Emerson que resume isso de maneira notável: “O que você é ecoa tão alto aos meus ouvidos, que não consigo ouvir o que você diz”.

São as atitudes dos pais ou educadores, não há dúvida, que definem o caráter de seus educandos. Para se ter disso um exemplo, basta observar as crianças quando brincam. Elas repetem exatamente o que vivem dentro de seus lares ou na escola. Agem como agem seus pais ou professores, imitando inclusive os seus gestos.

As crianças são observadoras por excelência, e são os exemplos práticos dos adultos que mais as tocam.

 

           

 

 

Equipe Filosofia no ar / tc 07/07/2009.



[1] Com base no texto de Allan Kardec: Primeiras lições de moral na infância, Revista Espírita, fevereiro de 1864.

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