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Mansuetude

Mansuetude

 

Aquele que tem humildade sempre acolhe com doçura as censuras que lhe fazem, por mais injustas que sejam, porquanto, sabei-o bem, a injustiça jamais irrita o justo.[1]

 

A mansuetude é a virtude que amortece a violência daqueles que perderam o equilíbrio nas malhas das próprias paixões. É virtude irmã da misericórdia, pois tudo faz para tornar ameno o amargor das almas que sofrem o contragolpe das paixões que ainda as dominam.

Mansuetude significa índole pacífica. Alma serena e inalterável. Disposição para perdoar generosamente. Bondade, indulgência. Seu contrário é o rigor, a severidade.

O rigor é comparável ao rochedo intransponível contra o qual se chocam as ondas, num embate violento. 

A mansuetude é como praia generosa, na qual as ondas agitadas se espalham e perdem o furor.

A resistência gera maior resistência, as disputas potencializam as disputas, mas a mansuetude desarma, acalma e faz pensar com mais lucidez e serenidade.

As flores não resistem aos golpes das tempestades, mas se aproveitam da sua fúria para espalhar suas sementes e seu perfume a longas distâncias.

Aquele que agride denota fragilidade e desespero. A severidade, nesse caso, em vez de acalmar provoca a resistência e a disputa.

A quem deseja o combate, não há desafio mais provocativo do que a oposição impetuosa. Por isso, diante de uma agressão, não revidar é aproveitar a oportunidade para desenvolver as virtudes da humildade, da compaixão e da mansuetude.

Sim, é o momento da prova. E não há como provar que se tem uma virtude senão no momento crítico. É preciso coragem, não há duvida, e muito mais coragem para perdoar uma ofensa do que para revidar.

E como testar a coragem senão quando se apresenta uma situação adversa? Afinal, na paz não há mérito em ter coragem

Disse o filósofo Espinoza: Não ridicularizar as ações dos homens, não chorar sobre elas, não as detestar, mas adquirir delas um conhecimento verdadeiro.[2]

Em meio a tantas oportunidades que, infelizmente, ainda se apresentam neste mundo, para testar ou desenvolver nossas virtudes, aproveitá-las é dar prova de sabedoria.

O próprio Espinoza, quando viveu na Terra, no século dezessete, teve momentos de provas difíceis, mas a nenhuma delas ele sucumbiu. A mansuetude foi sempre a resposta dada aos seus agressores e acusadores. Ele não foi rochedo, foi praia.

Homens verdadeiramente sábios buscam amenizar o sofrimento daqueles que agridem, porque entendem que a agressão é a arma da fragilidade.

Jesus, o grande sábio, jamais disputou, jamais resistiu, e todos os ataques que lhe foram desferidos amorteceram no contato da generosidade de seu Espírito amoroso e manso.

Mas não são só os adultos que dão provas de mansuetude. Uma professora nos contou que um garotinho de 3 anos foi agredido pelo seu colega, e não revidou. Ao contrário, falou ao colega: “você sabia que eu também posso bater em você? Mas eu não quero fazer isso.”

A professora, admirada com tamanha sabedoria numa criança, contou o caso para a mãe do garoto. A mãe, no entanto, com naturalidade respondeu: “Ele foi educado para isso. Eu lhe ensinei que ele sempre tem a possibilidade de escolher o que deseja fazer, e de não permitir que outros escolham por ele. Como a agressão entre crianças, infelizmente é algo bastante comum, então educo-o para que não imite o que achar errado. E ele age sempre assim.”

Eis aí o efeito da educação, que é a arte de formar os caracteres. Eis a prova de que a mansuetude é uma virtude possível, mesmo nos meios mais adversos. É só uma questão de escolha e de investimento nesse propósito.

 

 

 

Equipe Filosofia no ar / TC 15/09/2012

 

           



[1] Revista Espírita, março de 1861 - Lições familiares de moral.

[2] Tratado Político, I, 4

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