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Albert Schweitzer

Albert Schweitzer – Filósofo, médico, organista e escritor alemão.

 

Albert Schweitzer nasceu a 14 de janeiro de 1875, em Kaysersberg, na Alsácia, sendo filho de um pastor evangélico.

Frequentou a Realschule de Münster (na Alsácia) e o Ginásio de Mühlhausen. Estudou teologia e filosofia na Universidade de Estrasburgo, obtendo o grau de Doutor em Filosofia. A seguir fez cursos de órgão com Charles Marie Widor, o célebre organista da igreja Notre Dame de Paris. Foi nomeado docente em 1901 em Estrasburgo, resolvendo, porém, em 1905, optar pela medicina. Em 1913 partiu como médico para a África Central Francesa. Lá construiu, em Lambaréné, o Hospital da Selva.

Em 1951 foi agraciado com a Prêmio da Paz, da Associação Alemã de Editores e, em outubro de 1953, com o Prêmio Nobel da Paz.

O próprio Albert escreveu porque foi exercer a medicina na floresta virgem.[1]

“Eu era professor da Universidade de Estrasburgo, organista e escritor; como e por que larguei tudo isso para me tornar médico na África equatorial?

Lera diversos escritos e ouvira testemunhos de missionários revelando a miséria física dos indígenas das selvas.

E quanto mais refletia nisso, menos conseguia compreender como era que nós, europeus, nos preocupávamos tão pouco com a grande tarefa humanitária que nos incumbe nessas regiões longínquas. Parecia-me que a parábola do mau rico e do pobre Lázaro se aplicava bem ao caso. O mau rico seríamos nós. Os progressos da medicina puseram à nossa disposição grande número de conhecimentos e de processos eficazes contra a doença e a dor física; e as vantagens incalculáveis dessa riqueza nos parecem coisa muito natural. O pobre Lázaro é o homem de cor, lá nas colônias. Conhece tanto ou mesmo bem mais do que nós a doença e o sofrimento; todavia, não dispõe de nenhum meio para combatê-los. E nós agimos como o opulento mau, cuja indiferença para com o pobre sentado à sua porta era um pecado, pois o rico não se punha no lugar do seu semelhante, nem deixava que o próprio coração falasse.

As poucas centenas de médicos que os Estados europeus mantém oficialmente nas colônias não podem, pensava eu, realizar senão uma parte ínfima dessa tarefa imensa, tanto mais que a sua maior parte é destinada aos colonos brancos e às tropas. Assim, pois, compete à nossa sociedade civilizada, já que se tem nessa conta, o dever de tomar a si tal tarefa. Urge que chegue a hora em que médicos voluntários, enviados pela dita sociedade civilizada, venham em numero suficiente, sustentados por ela, atender aos indígenas. Só então começaremos a reconhecer e a realizar a nossa responsabilidade de civilizados, a respeito dos homens de cor.


Tais considerações atuaram em mim a tal ponto que decidi, na idade de trinta anos, estudar medicina para tentar, pessoalmente, na África a realização de tais ideias. Em princípios de 1913 me doutorei em medicina. E na primavera desse mesmo ano parti para o Ogoval, na África equatorial, para lá iniciar, junto com minha mulher que fizera o curso de enfermeira, minhas tarefas.


Fixei minha escolha nessa região porque certos missionários alsacianos ali estabelecidos a serviço da Sociedade das Missões Evangélicas (com sede em Paris) me informaram da necessidade premente de um médico naquelas paragens, principalmente devido a extensão que estava tomando a doença do sono. A Sociedade das Missões declarou-se pronta a por à minha disposição um dos edifícios do seu posto em Lambaréné e a deixar que eu construísse um hospital no terreno, para o que também me prometia a sua ajuda.


Eu deveria, contudo, reunir pessoalmente os fundos indispensáveis ao meu empreendimento. Consagrei a isso quanto ganhei, dando concertos de órgão e vendendo meu livro sobre Johann Sebastian Bach, editado em três idiomas. O Cantor de São Tomas de Leipzig contribuiu, dessa maneira, com a sua parte para a criação do hospital destinado aos negros das selvas. Amigos meus da Alsácia, da França, da Alemanha e da Suíça, me auxiliaram igualmente com seus donativos. Ao deixar a Europa, eu sabia que a existência da minha obra estava assegurada, pelo menos, por dois anos. Eu tinha orçado as despesas - sem incluir a viagem de ida e volta - em cerca de quinze mil francos, e quase não errei.


Por conseguinte, adotando um termo usado em biologia, eu agia em simbiose com a Sociedade das Missões Evangélicas de Paris. Contudo, o meu empreendimento era supra-confessional e internacional. Estava convencido, como ainda estou hoje, de que toda tarefa humanitária em terras coloniais, compete não somente aos governos ou às organizações religiosas, mas essencialmente a todos os homens.


Abandonei aos amigos devotados de Estrasburgo a questão da contabilidade e da aquisição do material. A Sociedade das Missões Evangélicas, de Paris, encarregou-se de expedir minhas caixas, junto com as destinadas aos seus missionários do Gabão.



[1] Albert Schweizer, Entre a água e a selva, 3ª ed. Edições Melhoramento. Trad. de José Geraldo Vieira.

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